As manhãs costumam ser alegres, o sol cintila e os pássaros não param de cantar. Mas nessa manhã em específico só se ouviu suspiros de lamento, pois uma pobre rolinha colidiu contra o vidro da janela e lentamente foi fechando seus olhinhos miúdos.
Bom, enterramos a pobre rolinha e decoramos o túmulo com algumas flores. De algum modo, eu acho belo essas criaturas tão pequenas quando elas dormem para sempre e foi o que tentei expressar com essa fotografia.
Ano passado enterrei dois passarinhos, um deles era da espécie cambacica (Coereba flaveola), o outro eu não consegui identificar. Esse anônimo eu encontrei na rua, então o peguei com uma sacola plástica e trouxe para casa para enterrar. Quanto ao cambacica, ele recebeu o nome de Percival, e o enterrei num depósito pequeno porque eu queria colher os ossos depois. Em algum outro post posso mostrar como eles são. Quanto a rolinha, ela recebeu o nome de Valente.
Deixo aqui o meu registro sobre a minha aversão por janelas de vidro! É até difícil para nós percebemos que há um vidro, então imagina para estas criaturas!
Um amiguinho esteve por aqui, visitando o ambiente e escalando pedras. Já fazia um bom tempo que não observava um sapo cururu. Acredito que a última vez que vi um foi no começo do inverno do ano passado, quando as tanajuras saíram da terra e salpicaram o céu com sua presença. Obviamente os amigos sapos também saíram de suas tocas para caçar! O sapo da foto não estava muito no clima para ser fotografado, mal cliquei na câmera e ele saiu, como se houvesse um compromisso muito importante.
Fiz um álbum no meu Flickr chamado “Aristóteles no Liceu”, a ideia do título me veio após ter lido o livro “Aristóteles para Todos” onde é mencionado que o Aristóteles tinha uma coleção zoológica. Eu me identifiquei bastante, pois também tenho uma humilde coleção de insetos e outros elementos da natureza.
Acabei de assistir um filme chamado The Polar Bear King (1991), uma adaptação do conto de fadas Rei Urso Branco Valemon. A princípio pensei se tratar do conto “East of the Sun and West of the Moon”, mas eu estava equivocada. Porém, há muitas semelhanças com este último: um casamento entre um príncipe que está amaldiçoado, sob um feitiço de ser um urso polar, e uma humana. Ela não pode ver o seu rosto por um tempo até que o feitiço seja quebrado, porém a garota acaba fazendo o oposto e tem que partir para uma aventura com o propósito de resgatar o seu príncipe. Falo mais a respeito aqui.
Pensar nos contos de fadas me fazem lembrar de que feitiços podem ser quebrados. Maldições não são necessariamente o fim de tudo.
Como é bom concluir um livro após meses de leitura! Eu estive lendo Scivias, de Santa Hildegarda, por tanto tempo que quando eu concluí senti um alívio. Embora esses sentimentos tenham me pegado, eu estava adorando fazer a leitura. Acredito que demorei tanto porque eu não li todos os dias, fui adicionando outras leituras e os dias foram acontecendo. Eu não tenho essa obsessão de que tem que ler todos os dias porque para mim a literatura é um alívio e não uma obrigação. Já existem bastante coisas que faço por obrigação, eu que não irei adicionar mais uma haha. Enfim, vamos falar sobre o livro.
Scivias são os relatos das visões que Deus Pai revelou para Santa Hildegarda. Estas visões são recheadas de fatos sobre a Criação, a Queda, a Salvação, o Juízo Final e o Novo Céu e a Nova Terra. Sabendo disso, eu não me iludo de que fiquei com tudo armazenado na minha memória. Com certeza esse é um daqueles livro para reler e para fazer consulta. Eu aconselho que quem vai iniciar, faça anotações sobre cada tema, como um glossário para uma consulta futura ser de fácil acesso.
Eu diria que Scivias é uma catequese que o próprio Deus nos dá. Santa Hildegarda tem as visões e Deus explica para ela o que cada uma significa. Uma das coisas que mais gostei sobre as visões é que elas são repletas de simbolismos e, para mim, foi a fonte perfeita para aprender sobre o que cada coisa na natureza significa. Durante a leitura, muitas coisas se firmaram em meu coração, como as criaturas não apenas simbolizam algo, mas elas são de fato aquilo. E como elas fazem a vontade de Deus e, ao observá-las, somos ensinados sobre esse mistério. A natureza é uma catequese para aqueles que têm olhos e ouvidos atentos.
Alguns fatos que aprendi anteriormente com os padres ortodoxos do podcast The Lord of Spirits vi serem relatados nas visões. Por exemplo, que os justos substituirão o lugar que os anjos caídos abandonaram. Pensando nisso, eu aposto que Santa Teresinha deve cuidar de todas as plantas Rosaceae.
Uma outra coisa que eu gostaria de mencionar, é que uma das últimas visões é sobre o Novo Céu e a Nova Terra. Nela observamos que a noite deixa de existir e que a Lua e o Sol ficam juntos no céu. Tão incrível pensar que um dia eles irão se encontrar e ficarão juntos por todo o sempre! Além disso, esse momento me fez lembrar de algo que li no livro A Última Batalha de C.S. Lewis, pois na nova Nárnia o Sol e a Lua se fundem:
“Então a Lua surgiu, em uma posição completamente errada, muito perto do Sol, e também parecia vermelha. E ao vê-la, o Sol começou a lançar grandes chamas, como bigodes ou serpentes de fogo carmesim, em sua direção. Era como se ele fosse um polvo tentando atraí-la para si com seus tentáculos. E talvez ele a tenha atraído. De qualquer forma, ela veio até ele, lentamente a princípio, mas depois cada vez mais rápido, até que finalmente suas longas chamas a envolveram e os dois se fundiram, tornando-se uma enorme bola como uma brasa. Grandes pedaços de fogo caíram dela no mar e nuvens de vapor se elevaram.”
Esse livro trata justamente dos temas do Final dos Tempos, então foi impossível não fazer alguma associação.
Enfim, estou feliz por ter concluído e por ter aprendido mais sobre uma Santa do período medieval. Com certeza esse livro entra para a lista dos que devem ser lidos mais de uma vez!
“O errado será certo, quando Aslan aparecer, ao som do seu rugido, as tristezas não mais existirão. Quando ele mostrar os dentes, o inverno encontrará sua morte, e quando ele sacudir sua juba, teremos primavera novamente.”
Eu considero muito inspirador que um dos fatos para esse livro existir é porque o Lewis queria resgatar o simbolismo de Júpiter para a literatura. O Michael Ward, em Planet Narnia, fala que no livro “A Imagem Descartada”, conseguimos observar todo o amor que o Lewis sentia por Júpiter, esse planeta símbolo da realeza, alegria, abundância, misericórdia, sabedoria etc.
Foi impossível não perceber esse símbolo logo no princípio da história quando as crianças estão viajando para um lugar longe da guerra, ficam hospedadas no casarão de um professor e Pedro, o irmão mais velho, propõem aos demais irmãos para explorarem a casa em um dia que todos estavam entediados porque não podiam brincar lá fora.
Estas coisas: viajar, professor e exploração são temas tão joviais. A viagem, não somente a física, mas também aquelas da mente na busca filosófica, pela verdade são regidas por Júpiter.
Nesta Crônica, o espírito jovial é evocado principalmente em Aslam e no papel que ele desempenha na trama. Ele é o Rei justo e misericordioso, que se sacrifica e ressuscita. O seu retorno traz alegria, calor, justiça e vida.
Aslam age jovialmente quando sua presença derrota o inverno eterno causado pela Feiticeira Branca. É interessante notar que a natureza começa a se manifestar porque ela está diante do Rei legítimo. Essa derrota do inverno eterno também é algo que evoca o trabalho do Lewis de regressar o simbolismo de Júpiter para a literatura, pois ele percebeu que havia muitos autores saturninos (frio, controle, rigidez, morte).
Outra figura que nos lembra de Júpiter é o Papai Noel! Lewis recebeu algumas críticas pela presença do bom velhinho, porque eles acreditavam que saía muito do contexto de Nárnia. Mas o Papai Noel ali faz todo sentido. A sua chegada marca o retorno da generosidade, da dádiva e da festividade real. Ele é bondoso, alegre e distribuidor de presentes! Tudo isso é completamente jovial.
Bom, são inúmeras referências que podemos notar o planeta Júpiter, inclusive em coisas menos óbvias, como os irmãos que atravessam o Guarda-Roupa em trajes elegantes, uma clara referência ao símbolo da realeza.
Para a resenha completa, eu falei tudo o que percebi e refleti nesse áudio. Não deixem de conferir. Vou ficando por aqui.
Nessa publicação falei um pouquinho sobre o motivo de desejar regressar a Nárnia. Então estou aqui para compartilhar o que consegui perceber sobre o simbolismo dos planetas que o Lewis adicionou, intencionalmente, em cada história de Nárnia. Para esse esforço eu obtive ajuda de dois livros: The Medieval Mind of C. S. Lewis (Jason M. Baxter) e Planet Narnia (Michael Ward). O primeiro é sobre as influências medievais do Lewis, enquanto o segundo é focado no simbolismo dos planetas que estão contidos em As Crônicas de Nárnia.
No livro “The Medieval Mind of C. S. Lewis (Jason M. Baxter)”, o autor faz um panaroma percorrendo por intelectuais que influenciaram a Idade Média e que Lewis conhecia profundamente. Um deles é Macrobius, um filósofo platônico que escrevia em latim, cujo trabalho descreveu a ideia da criação do mundo ser uma sinfonia. Por sua vez, essa ideia tem como base o livro “Sonho de Cipião”, do político Marco Túlio Cicero.
Neste sonho há um momento em que Cipião olha para baixo e vê o cosmos se movendo sob seus pés (isso se repete em A Divina Comédia), e então, ele começa a ouvir uma música magnífica, e questiona: “O que é esse som, tão alto e ainda assim tão doce, que enche meus ouvidos?” Seu guia responde: Esse é o som produzido pelo ímpeto e momento das próprias esferas. É composto de intervalos que, embora desiguais, são determinados sistematicamente por proporções fixas. A mistura de notas altas e baixas produz um fluxo uniforme de várias harmonias…”
“Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cânticos.” Salmo 125, 2.
Dei uma pequena pincelada nesse contexto da música porque um dos signos que Vênus rege é o signo de Touro, este por sua vez tem esse símbolo de estar associado a região do pescoço, garganta, laringe, tireoide, língua, cordas vocais. Acho que consigo imaginar o porquê a criação de Nárnia seja tão musical! Pois cantar e, o som ainda ser tão belo, tem tudo a ver com o planeta Vênus. Vejamos alguns trechos do capítulo que antecede a Criação de Nárnia:
“No escuro, finalmente, alguma coisa começava a acontecer. Uma voz cantava. Muito longe. Nem mesmo era possível precisar a direção de onde vinha. Parecia vir de todas as direções, e Digory chegou a pensar que vinha do fundo da terra. Certas notas pareciam a voz da própria terra. O canto não tinha palavras. Nem chegava a ser um canto. De qualquer forma, era o mais belo som que ele já ouvira. Tão bonito que chegava a ser quase insuportável. O cavalo também parecia estar gostando muito, pois relinchou como faria um cavalo de carga se, depois de anos e anos de duro trabalho, se encontrasse livre na mesma campina onde correra quando jovem e, de repente, visse um velho amigo cruzando a relva trazendo-lhe um torrão de açúcar”
É interessante que o canto é o primeiro sinal de algo no escuro, assim como Vênus que se mostra tão brilhante quando a noite começa a cair. Toda a melodia é descrita como bela, uma beleza tão avassaladora que causava uma certa insuportabilidade. Tal descrição lembra-me dos anjos ao aparecerem para as pessoas e sempre diziam: “Não temas”. Às vezes a beleza pode nos causar esse tipo de espanto ou temor, não necessariamente algo admirável como estamos acostumados a pensar. O cavalo, o cocheiro e as crianças são os únicos maravilhados pelo canto. Enquanto Jadis e Tio André a consideram insuportável.
“– Louvado seja! – disse o cocheiro. – Se eu soubesse que existiam coisas assim, teria sido um homem muito melhor.”
“O céu do oriente passou de branco para rosa, e de rosa para dourado. A Voz subiu, subiu, até que todo o ar vibrou com ela. E quando atingiu o mais potente e glorioso som que já havia produzido, o sol nasceu.”
“A terra tinha muitas cores – cores novas, quentes e brilhantes, que faziam a gente exaltar… Até que se visse o próprio Cantor. Então, todo o resto seria esquecido.”
O canto foi o que mais me marcou, mas há outros trechos da Crônica que podemos perceber algo venusiano. Por exemplo, quando Polly e Digory decidem explorar um túnel que dava entrada para as casas da vizinhança, mas eles estavam mais curiosos a respeito de uma casa abandonada. Eles conseguem acessar a casa abandonada e se surpreendem por encontrarem um sótão bem arrumado e mobiliado como uma sala de estar, até que Poly se dá conta de uma bandeja de madeira contendo um determinado número de anéis.
“Os anéis estavam colocados em pares – um amarelo e um verde juntos, um pequeno espaço, depois outro anel amarelo com um anel verde. Não eram maiores do que os anéis comuns, e era impossível deixar de olhar para eles, pois eram muito brilhantes e bonitos”.
Acredito que essa descrição sobre os anéis pode ser utilizada para descrever Vênus. Não sei se você costuma contemplar o céu noturno, mas Vênus é extremamente brilhante até mesmo em um céu afligido pelas luzes artificiais do ambiente urbano. Então imagina como não deveria ser para o homem medieval, que vivia em uma época que ainda não existia a eletricidade, observar este planeta?! Com certeza ele deveria vê-lo brilhando tão intensamente! Essa experiência se tornou incomum para muitas pessoas, somente quem vive longe das luzes artificiais tem a oportunidade de contemplar um céu salpicado de estrelas.
Observei também que há um capítulo chamado de “A primeira piada”, pois Vênus também simboliza o riso porque ele é prazeroso. E o capítulo mais comovente dessa história é quando Digory dá a sua mãe o fruto que ele colheu em Nárnia e que é capaz de curá-la. Este fruto é uma maçã, e mais uma vez podemos notar algo venusiano porque a maçã é uma espécie de planta associada ao planeta Vênus, assim como as demais espécies da família botânica Rosaceae.
Gravei um áudio sobre esse livro, eu acabei falando mais sobre outros aspectos. Então tá aqui o vídeo para quem quiser ouvir.
Eu acho que Deus tem um senso de humor muito icônico… Há uns dias eu estava brincando de ser fotógrafa de animais selvagens com uns adesivos de ilustrações que fiz… Até que, no último sábado, eu acabei avistando um animal selvagem de verdade!! Observei uma raposa da Caatinga (Cerdocyon thous). Eu nem acredito que consegui fazer um registro dela. Ela era tão fofa! Não vou falar onde ela foi avistada pela sua própria segurança.
Eu fui um pouco audaciosa porque tentei me aproximar para conseguir vê-la melhor, mas ela acabou indo se esconder pela vegetação. Espero que a raposinha esteja bem e que consiga crescer e se reproduzir.
Nesse mesmo dia também registrei várias abelhas carregadas de pólen! Eu amo muito abelhas.