Trevinhos

“Ela ama todas as coisas que crescem na terra; e guarda na mente todas as suas incontáveis formas, das árvores semelhantes a torres nas florestas primitivas ao musgo sobre as pedras ou aos seres pequenos e secretos que vivem no solo.” – O Silmarillion, J. R. R. Tolkien

Olá! Eu estou participando de um desafio fotográfico lá no meu instagram e eu acabo tirando muitas fotos e é difícil escolher somente uma (detesto ser indecisa). Então vou tentar postar aqui também e movimentar o Bosque que está um pouco abandonado…

Por causa da série Anéis de Poder, resolvi reler O Silmarillion. Assisti somente o primeiro episódio e não pretendo dar continuidade, apenas posso dizer que não há nada melhor do que se debruçar na leitura dos livros. Muito mais mágico e honesto!

Quanto ao desafio, o tema de hoje são flores ou folhagem do seu dia. Resolvi colher alguns trevinhos que há no quintal e tentar pintar uma aquarela deles.

As plantinhas miúdas são muito queridas por mim e tenho um apreço especial pelo trevo porque suas folhas são em forma de coração!

Sempre lembro de São Patrício que utilizou um trevo para explicar o mistésrio da Santíssima Trindade!




Obrigada pela visita! ♡

Tarde de inverno

Em meu último passeio fiz vários amigos e apreciei bastante uma época cheia de encantos. Era uma linda tarde de inverno, o céu oscilava entre nuvens carregadas de chuva e lindos raios intensos de sol, mas muito delicados em contato com o meu rosto. Quando observo a paisagem sob esta perspectiva, eu vejo a cor azul e quase posso tocá-la. Caminhar com este lindo presente de Deus é imensamente agradável. Como eu amo esta época do ano!

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Primeiro encontrei esta asa de borboleta no chão. Eis um dos motivos porque eu prefiro caminhar olhando para baixo ou um pouco para os lados… Mas de vez em quando é bom erguer a cabeça pois sempre há pássaros cantando no alto das árvores, embora alguns sejam dificéis de ver, são criaturas misteriosas.

No momento que as nuvens deram um pouco mais de espaço para o sol, um grande espetáculo de luz se formou sobre o orvalho nas plantas rasteiras. Eu estava tentando fotografar as rosas de uma propriedade e o cachorro dela estava eufórico por causa das cachorrinhas que estavam no caminho. Considerei tão lindo ele naquele campo orvalhado e iluminado que tive que registrar a cena.


Então, as cortinas deste ato se fecharam para iniciar o próximo: uma chuva forte. Mesmo parecendo um problema, não o vi desta maneira. Seria mais uma história de aventura para nossas memórias. Os pés cheios de barro, cães alvoroçados, um tempinho para parar e admirar a cachoeira que caía do céu, e quem sabe, pensar um pouco sobre a vida.

Foi durante a volta para casa que encontrei esta borboleta. Tive que ser muito rápida para não perder a chance. Geralmente tem que ser muito quietinha, ou fingir que se é, caso você seja uma pessoa serelepe, para se aproximar destas criaturas, o menor ruído de pés pisando em folhas ou um leve balanço de alguma planta, fazem elas voarem para longe. O que não é algo tão ruim porque dá para observar alguns outros detalhes de suas asas que só aparecem quando elas fazem o vôo

Aprendi nesta tarde que a alegria é mais uma vontade em ser alegre do que esperar que os dias sejam sempre ensolarados.

Obrigada pela visita! ♡

Cicely Mary Barker

Olá! Esta publicação é um pouquinho sobre a vida da ilustradora Cicely, sua arte e o quanto ela me inspira quando decido desenhar. Há um tempo escrevi um pouco sobre a Beatrix Potter, se quiser ler é só clicar aqui.

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Cicely Mary Barker foi uma ilustradora inglesa que viveu entre os anos de 1895 e 1973, ela é bastante conhecida por uma série de ilustrações de fantasia representando fadas e flores. Seu interesse por pintura e desenho começou desde a infância. Nesta fase da vida, a Cicley possuía a saúde muito frágil e tinha crises epilépticas. Devido a tal circunstância, a sua família lhe deu educação domiciliar e a pequena passava o seu tempo livre desfrutando de livros ilustrados. Seu pai foi também um artista e lhe influenciou a se dedicar a pintura, deste modo, a pequena Barker ingressou, aos 13 anos, na Croydon School of Art para tomar aulas.



Com o falecimento de seu pai, Cicely utilizou o seu talento para ajudar a família, juntamente com a sua irmã mais velha, a Dorothy, que criou um jardim de infância em casa com o mesmo objetivo. As famosas fadinhas das flores são baseadas nestas crianças que frequentavam o jardim, adicionando fantasias nelas. Cicely escreveu no prefácio de Flower Fairies of the Wayside: “Então deixe-me dizer muito claramente, que eu desenhei todas as plantas e flores com muito cuidado, do real; e tudo o que eu disse sobre eles é tão verdadeiro quanto eu poderia fazer. Mas nunca vi uma fada; as fadas e tudo sobre elas são apenas “fingir”.”



Cicely foi uma cristã (anglicana) muito devota e fez outros trabalhos para expressar a sua fé. Entre eles está um livro em que trabalhou juntamente com sua irmã, chamado de A Little Book of Bible Stories, este foi escrito pela Dorothy. Um outro chamado The Children’s Book of Hymns, o qual possui as suas orações e cantos prediletos. Mas não foi somente isto, ela também pintou uma série de grandes obras para igrejas em todo o Reino Unido. Ela também fez painéis para a Igreja que frequentava em Croydon, a St. Andrew. Estas obras são pinturas a óleo representando os sete sacramentos e rolos batismais para a parede atrás da pia batismal. Uma de suas pinturas do Menino Jesus, The Darling of the World Has Come, foi comprada pela Rainha Mary.

fonte das imagens

Admiro bastante o trabalho da Cicely e eu sempre penso nela quando pretendo desenhar pessoas, porque seus desenhos possuem beleza e proporção. São coisas que pretendo alcançar no meu próprio trabalho, provavelmente levará algum tempo, mas graças a Deus acredito que poderei fazer isso por muitos e muitos anos. Há um tempo, resolvi começar a pôr em prática esse desejo observando como é o seu traço e quando se desenha, a única maneira de aprender é praticando! Só tentei não fazer tão indêntico, eis o motivo de ter mudado as roupas e retirado as asas.

Além das ilustrações, que é impossível alguém não se encantar, amo ler os poemas que acompanham cada espécie botânica. Sim, não são somente flores… Há árvores e frutas também! São categorizadas pelas estações do ano e também por jardim, árvores, alfabeto e “wayside”. Não sei como este último ficaria em português, mas acredito que ela se refere àquelas plantinhas silvestres que encontramos a beira da estrada, por exemplo.

flores silvestres que colhi para esta publicação ♡
para ver a ilustração completa clique aqui

Durante minhas caminhadas, tenho o costume de pegar flores silvestres que encontro, e também àquelas que são ornamentais e embelezam as ruas. Lembrei das ilustrações sobre estas plantas que encontramos facilmente, que insistem em crescerem naquelas brechinhas entre os paralelepípedos ou até mesmo que racham o asfalto. Levei um potinho com água para colocá-las e poderem durar por mais tempo. Agora elas estão deixando a minha mesa mais alegre!

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Meu primeiro avental

Este foi o primeiro avental que fiz e resolvi escolher um modelo vitoriano, pois esta época possui coisas lindas quando se trata de indumentária (e outros assuntos também). Pensei que seria muito complicado fazer a modelagem, felizmente eu estava enganada. Acredito que quem é iniciante poderá fazer tranquilamente!

Desde o princípio sabia que gostaria de deixar algum bordado. Então escolhi bordar o Peter Rabbit. Iria combinar bastante com minhas colheres de pau.

Primeiro fiz as medições para encontrar o centro do tecido. Risquei com um lápis o que eu iria bordar. Após isso, utilizei um bastidor para maior conforto ao bordar. Selecionei algumas cores que já estavam na minha latinha há um bom tempo, e por sorte, caíram perfeitamente para representar o Pedro Coelho.

Eu demorei 3 horas e 18 minutos para finalizar o coelho da Beatrix Potter. Obviamente não o fiz por horas seguidas.

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A Fada do Livro

No finalzinho de dezembro de 2021 recebi uma encomenda de uma moça que trabalha restaurando livros. De imediato achei incrível o trabalho dela, pois amo livros antigos e andar por sebos a procura destes tesouros e foi uma alegria poder unir duas coisas que amo: livros e aquarela.

A restauradora me pediu uma fadinha cuidando de um livro em um ambiente cottagecore. Pensei bastante em como poderia ser, então imaginei uma mesa, uma fadinha trabalhando sobre ela e ao fundo uma prateleira com pilhas de livros aguardando a sua hora de serem restaurados.

Procurando as cores que a cliente pediu.
Pedacinhos que ficaram de fora da foto oficial.

Faz um bom tempo que fiz este trabalho e só agora estou publicando por aqui. Um dos meus objetivos é de usar mais o blog para divulgar o meu trabalho. Bem, se você quiser encomendar algo é só entrar em contato pelo e-mail mirianilustradora@gmail.com ou ir no meu Instagram.

Obrigada pela visita. ♡

Conheça a Artista

Oi, eu sou a Mírian (é o meu segundo nome), nasci em 1993, sou católica, casada e ainda não tenho filhos. Faço ilustrações profissionalmente desde 2017/2018, época em que concluí a graduação em Biologia e pude me dedicar ao curso de ilustrador. Meu objetivo era aprender ilustração científica e me dediquei bastante a isso, mas de uns tempos para cá venho tentando me aprimorar em outros projetos para realizar alguns sonhos que carrego no bolso.

Busco inspiração principalmente na criação do Senhor: a minha tão querida natureza. Além disso, admiro o trabalho de ilustradores que me são muito caros: Beatrix Potter, Tasha Tudor, Cicely Mary Barker, Jill Barklem, Tolkien, Edith Holden, Hayao Miyazaki, entre outros. O mundo inteiro se torna uma inspiração para mim, eu a encontro diariamente nas coisas mais singelas e também em outras que aprecio, como a literatura.

Sou uma sonhadora, e qualquer sopro de vida ou luz, traz alegria ao meu coração e tento pôr isso em forma de desenho. Busco passar o máximo de beleza possível, portanto, estou sempre tentando aperfeiçoar e aprofundar o meu trabalho através dos estudos. Aprecio o que é verdadeiro, e é o que me motiva a criar ilustrações utilizando as regras da pintura e do desenho. A escrita também me é agradável, gosto principalmente de escrever sobre minhas explorações e os livros que leio. Frequentemente estou postando alguns deles no Bosque.

Vou concluir a aparesentação listando coisas aleatórias que gosto, que ainda não foram citadas, para nos conhecermos mais: fazer carinho em animais, cozinhar, ballet, lugares silenciosos, sebos, bibliotecas, sino da Igreja tocando, escrever cartas, contos de fadas, tirar muitas fotos, fazer listas, chuva, café com leite, Santa Teresinha, Santa Hildegarda, São Francisco de Sales, música dos anos 70 e 80 (principalmente rock), Vivaldi, Tchaikovsky, Bach, Taylor Swift, Enya, Cécile Corbel, New Order, escrever no diário, Fiódor Dostoiévski, dias simples.

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Ratinho e Morangos

Existe uma brincadeira entre ilustradores de desenhar algo no seu estilo. A inspiração para esta aquarela veio do perfil Beccotti (@_beccotti_). Os elementos principais são um ratinho e morangos. Resolvi tentar fazer uma pequena representação imaginando que fazia parte de alguma história que ainda não foi escrita, mas quem sabe eu faça isso algum dia!

É a primeira vez que resolvi utilizar uma caneta nanquim para os contornos e não imaginei que fosse gostar tanto! Fiquei contente porque acredito que se continuar me esforçando mais, alcançarei um estilo próprio.

Sinto-me empolgada ao pensar em cores e formas que podem caracterizar o meu trabalho e continuarei me empenhando a cada dia.

Obrigada pela visita. ♡

Para o outono

“Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou.”
Eclesiastes, 3.

Sinto-me grata por poder viver mais uma estação onde as cores alegres saem um pouquinho de cena para dar espaço ao grande concerto de folhas que caiem suavente com o sopro dos ventos, tudo isto fazendo lembrar de um balé.

O outono recorda os momentos de introspecção, mas também é uma época de grandes mudanças. É quando ocorre muitas chuvas, estas que nos fazem voltar para o interior de nossas casas e desfrutar do aconchego que o lar nos oferece. É notório a renovação das folhagens do qual parece dizer que às vezes é preciso permitir que algumas coisas partam de nós para que novas possam surgir e então sarar algumas feridas.

Santa Hildegarda, com a ajuda direta de Deus, compreendeu que as mudanças de estações causam nas criaturas também certas mudanças. Ela descreveu no trabalho de nome Causae et Curae, que há uma interconectividade de todos os elementos. Especificamente, o microcosmo dos elementos existe simultaneamente no macrocosmo do universo, em geral, e dentro de cada um de nós, individualmente. Penso que o outono realmente faz ter em nosso interior um momento mais quieto no coração, nos convidando a reflexão e às mudanças que sejam necessárias.

Então estas mudanças, como está em Eclesiastes, nos diz que há o tempo de morrer, e é no outono que as árvores, sem apego nenhum, permitem que suas belas folhas percam as suas cores, sequem e caiam ao chão. Desta maneira, os galhos possuem espaço para que novas folhas cresçam e a árvore como um todo também cresça e se prepare para dar bons frutos. O chão tingido de laranja, vermelho, ou marrom não é desperdiçado, pois esta espessa camada de folhas secas servem como uma proteção vegetal natural às outras formas de vida da natureza. O velho possui o seu valor… Desta maneira, acredito que na nossa vida às vezes é necessário um momento para se esvaziar e eu prometo que irei refletir sobre o que preciso deixar ir embora. Como estamos na Quaresma, sinto-me ainda mais inclinada a tais pensamentos.

Gostaria de tentar deixar este momento recreativo também, pois a alegria não precisa ocorrer somente na primavera ou verão. É uma virtude querida para todas as épocas! Bem, estive pensando sobre os livros que associo ao outono e preparei uma lista com todos que recordei. Conhecendo o meu ritmo de leitura e a minha realidade, acredito que não será possível que eu leia todos os listados. Mas de qualquer modo, deixo-os aqui caso alguém tenha interesse em conhecer algo novo para ler. Com certeza farei o possível para reler Jane Eyre. Este romance marcou o meu coração e a Charlotte Brontë descreve a natureza e as paisagens de maneira sublime. e as mudanças que a protagonista vivencia tem tudo a ver com o outono.

Árvores silenciosas, nas pinhas que caíam, nas relíquias congeladas do outono, as folhas avermelhadas varridas pelo vento de dias passados e empilhadas em montinhos, e agora enrijecidas ali

(Jane Eyre, Charlotte Brontë)

Para ler…

  • Livro de Jó
  • Eclesiastes
  • Jane Eyre
  • The Tale of Squirrel Nutkin
  • The Tale of Timmy Tiptoes
  • The Tale of Ginger and Pickles
  • Brambly Hedge Autumn Story
  • Os Pequeninos Borrowers
  • O Morro dos Ventos Uivantes
  • Anne de Green Gables
  • O Vento nos Salgueiros
  • Em Busca de Watership Down
  • Hamlet
  • Mulherzinhas

Pensei também em atividades para se fazer como doar coisas em bom estado para alguém e tentar consertar outras que possam receber algum reparo e torna-se utilizável novamente. Vasculhar a casa ou seu espaço (o quarto) de onde vive e organizá-lo. Também tentar deixar o ambiente mais harmônico e belo, dando ênfase às cores aconhegantes desta época. E claro dedicar-se a contemplar o belo ao seu redor, como um pôr-do-sol, o céu estrelado, as nuvens, borboletas pelo jardim, o som do vento. Tudo isto é possível, mesmo que não se tenha acesso a uma bela arquitetura, por exemplo.

Para fazer…

  • Colecionar folhas secas
  • Colecionar frases que remetem ao outono
  • Tingir papel com café
  • Colher folhas para fazer decalque com giz de cera
  • Decorar o ambiente com algo encontrado na natureza
  • Desenhar elementos do outono (pinhas, bolotas, esquilos)
  • Caminhar na floresta ou em lugares arborizados
  • Visitar sebos, bibliotecas ou livrarias
  • Ouvir Antonio Vivaldi e Bach
  • Assar marshmallow na fogueira

Para assistir…

  • Akage no Anne
  • Brambly Hedge Autumn Story
  • Gilmore Girls
  • Matilda
  • O Senhor dos Anéis
  • Edward Mãos de Tesoura
  • Gasparzinho
  • Peter Rabbit e seus Amigos
  • Bambi
  • A Menina no País das Maravilhas
  • Little Forest: Summer/Autumn

Acabei fazendo esse desenho rápido, todo de lápis de cor. Mas pretendo adicionar mais elementos para a paisagem, então vou passar o outono me cobrando para desenhar mais nele. Pretendo vir aqui mostrar o resultado.

Espero poder vir mais vezes aqui relatar as minhas pequenas aventuras outonais, pois estou bastante ansiosa pelos dias vindouros! Penso em poder comentar ao menos as leituras que eu conseguir fazer e fotografar bastante a natureza. Talvez eu faça uma pequena personificação do outono como ocorreu com a primavera. Enfim, deixarei a mente livre para que a criatividade brote naturalmente. Pôr em prática as minhas idéias é algo que alegra o meu coração. Fico por aqui e nos vemos em breve, se Deus quiser!

Obrigada pela visita. ♡