Fragmentos rosáceos




Tenho me divertido com meus papéis, um tanto avulsos, e uma caneta esferográfica preta. A propósito, neste último mês de maio eu concluí com uma caneta e já adquiri uma nova para continuar escrevendo. Pois é, eu escrevo muito manualmente e amo uma caneta preta! Outra coisa que amo fazer são listas. Amo anotar as leituras que fiz durante o ano e tenho um acervo disso desde 2020. Eu comecei a anotar minhas leituras em 2013, mas essas listas se perderam pela internet, então resolvi transcrever tudo para o papel e manualmente. Escolhi um sketchbook abandonado e o transformei na minha listinha de livros. Fiz uma capinha bonitinha na parte de dentro com colagens (eu me inspirei em uma amiga que ama fazer colagens). Adicionei as categorias de favoritos e releituras (eu amo reler!!).

O adesivo de uma menina com um livro sobre as pernas eu mesma desenhei com lápis de cor. É bem relaxante usar esse material e estou feliz por ter voltado com o meu hobbie de desenhar sem aquela pressão que adquiri por causa das redes sociais e da monetização do passa-tempo. Esse assunto me faz recordar da primeira encíclica do Papa Leão XIV, que saiu há pouco tempo. Alguns trechos dela me fizeram pensar no quanto as redes sociais com o algoritmo podem desencadear nas pessoas a certeza de que elas só valem pelo o que produzem e pelo status que vão adquirindo por causa da produção. Não que este mecanismo não esteja presente no mundo offiline, mas parece que no virtual tudo é ainda mais exagerado e insuportável, ao menos é esta a percepção que tenho.

E durante o uso da caneta, eu estava escrevendo uma carta, e então a tinta acabou. Mas tudo bem, porque eu tinha um bom motivo para ir até a papelaria haha. Acredito que tentar me afastar um pouco das redes melhorou o meu ânimo para fazer as coisinhas que sempre gostei…

Ah, também estive caçando borboletas no final do último verão e as espetando no isopor até ter uma caixinha para guardá-las. Fiz também umas etiquetas na máquina de escrever com seus nomes científicos e a cidade onde as encontrei. Eu aproveitei que nessa época as borboletas voam pela estrada e sempre encontro várias delas sem vida pelas margens das estradas. Além de caminhar um pouquinho e ser agraciada pela luz solar, posso me dedicar a esse passa-tempo sazonal. Ele me ajuda a inserir em meu ser como há tempo para tudo sob o sol e tenho que aproveitar cada segundo do presente.

Por fim, esse livro da Cristina de Pisano despertou o meu interesse por se tratar de uma obra medieval e porque a autora aborda um problema de sua época: difamações contra as mulheres. Então Pisano defende o gênero feminino contando histórias de incontáveis mulheres virtuosas, corajosas, castas, fiéis, submissas, caridosas, inventoras, sábias, boas filhas, boas esposas e santas! De todas as épocas e classe. Passando pelos mitos até a sua época. Pensando em tudo isso, eu resolvi criar um drive com livros que foram produzidos durante a Idade Média. Espero que gostem e se divirtam assim como eu. Eu li A Cidade das Damas ano passado, mas nunca cheguei a fazer uma publicação dedicada a ele por aqui. Mas penso que é uma boa foto para compor os fragmentos rosáceos.

Obrigada pela visita. ♡

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