Esperança nos contos de fadas

Acabei de assistir um filme chamado The Polar Bear King (1991), uma adaptação do conto de fadas Rei Urso Branco Valemon. A princípio pensei se tratar do conto “East of the Sun and West of the Moon”, mas eu estava equivocada. Porém, há muitas semelhanças com este último: um casamento entre um príncipe que está amaldiçoado, sob um feitiço de ser um urso polar, e uma humana. Ela não pode ver o seu rosto por um tempo até que o feitiço seja quebrado, porém a garota acaba fazendo o oposto e tem que partir para uma aventura com o propósito de resgatar o seu príncipe. Falo mais a respeito aqui.

Pensar nos contos de fadas me fazem lembrar de que feitiços podem ser quebrados. Maldições não são necessariamente o fim de tudo.

Scivias, de Santa Hildegarda

Como é bom concluir um livro após meses de leitura! Eu estive lendo Scivias, de Santa Hildegarda, por tanto tempo que quando eu concluí senti um alívio. Embora esses sentimentos tenham me pegado, eu estava adorando fazer a leitura. Acredito que demorei tanto porque eu não li todos os dias, fui adicionando outras leituras e os dias foram acontecendo. Eu não tenho essa obsessão de que tem que ler todos os dias porque para mim a literatura é um alívio e não uma obrigação. Já existem bastante coisas que faço por obrigação, eu que não irei adicionar mais uma haha. Enfim, vamos falar sobre o livro.

Scivias são os relatos das visões que Deus Pai revelou para Santa Hildegarda. Estas visões são recheadas de fatos sobre a Criação, a Queda, a Salvação, o Juízo Final e o Novo Céu e a Nova Terra. Sabendo disso, eu não me iludo de que fiquei com tudo armazenado na minha memória. Com certeza esse é um daqueles livro para reler e para fazer consulta. Eu aconselho que quem vai iniciar, faça anotações sobre cada tema, como um glossário para uma consulta futura ser de fácil acesso.

Eu diria que Scivias é uma catequese que o próprio Deus nos dá. Santa Hildegarda tem as visões e Deus explica para ela o que cada uma significa. Uma das coisas que mais gostei sobre as visões é que elas são repletas de simbolismos e, para mim, foi a fonte perfeita para aprender sobre o que cada coisa na natureza significa. Durante a leitura, muitas coisas se firmaram em meu coração, como as criaturas não apenas simbolizam algo, mas elas são de fato aquilo. E como elas fazem a vontade de Deus e, ao observá-las, somos ensinados sobre esse mistério. A natureza é uma catequese para aqueles que têm olhos e ouvidos atentos.

Alguns fatos que aprendi anteriormente com os padres ortodoxos do podcast The Lord of Spirits vi serem relatados nas visões. Por exemplo, que os justos substituirão o lugar que os anjos caídos abandonaram. Pensando nisso, eu aposto que Santa Teresinha deve cuidar de todas as plantas Rosaceae.

Uma outra coisa que eu gostaria de mencionar, é que uma das últimas visões é sobre o Novo Céu e a Nova Terra. Nela observamos que a noite deixa de existir e que a Lua e o Sol ficam juntos no céu. Tão incrível pensar que um dia eles irão se encontrar e ficarão juntos por todo o sempre! Além disso, esse momento me fez lembrar de algo que li no livro A Última Batalha de C.S. Lewis, pois na nova Nárnia o Sol e a Lua se fundem:

“Então a Lua surgiu, em uma posição completamente errada, muito perto do Sol, e também parecia vermelha. E ao vê-la, o Sol começou a lançar grandes chamas, como bigodes ou serpentes de fogo carmesim, em sua direção. Era como se ele fosse um polvo tentando atraí-la para si com seus tentáculos. E talvez ele a tenha atraído. De qualquer forma, ela veio até ele, lentamente a princípio, mas depois cada vez mais rápido, até que finalmente suas longas chamas a envolveram e os dois se fundiram, tornando-se uma enorme bola como uma brasa. Grandes pedaços de fogo caíram dela no mar e nuvens de vapor se elevaram.”

Esse livro trata justamente dos temas do Final dos Tempos, então foi impossível não fazer alguma associação.

Enfim, estou feliz por ter concluído e por ter aprendido mais sobre uma Santa do período medieval. Com certeza esse livro entra para a lista dos que devem ser lidos mais de uma vez!

 

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O leão, a feiticeira e o guarda-roupa & Júpiter

“O errado será certo, quando Aslan aparecer, ao som do seu rugido, as tristezas não mais existirão. Quando ele mostrar os dentes, o inverno encontrará sua morte, e quando ele sacudir sua juba, teremos primavera novamente.”

Eu considero muito inspirador que um dos fatos para esse livro existir é porque o Lewis queria resgatar o simbolismo de Júpiter para a literatura. O Michael Ward, em Planet Narnia, fala que no livro “A Imagem Descartada”, conseguimos observar todo o amor que o Lewis sentia por Júpiter, esse planeta símbolo da realeza, alegria, abundância, misericórdia, sabedoria etc.

Foi impossível não perceber esse símbolo logo no princípio da história quando as crianças estão viajando para um lugar longe da guerra, ficam hospedadas no casarão de um professor e Pedro, o irmão mais velho, propõem aos demais irmãos para explorarem a casa em um dia que todos estavam entediados porque não podiam brincar lá fora.

Estas coisas: viajar, professor e exploração são temas tão joviais. A viagem, não somente a física, mas também aquelas da mente na busca filosófica, pela verdade são regidas por Júpiter.

Nesta Crônica, o espírito jovial é evocado principalmente em Aslam e no papel que ele desempenha na trama. Ele é o Rei justo e misericordioso, que se sacrifica e ressuscita. O seu retorno traz alegria, calor, justiça e vida.

Aslam age jovialmente quando sua presença derrota o inverno eterno causado pela Feiticeira Branca. É interessante notar que a natureza começa a se manifestar porque ela está diante do Rei legítimo. Essa derrota do inverno eterno também é algo que evoca o trabalho do Lewis de regressar o simbolismo de Júpiter para a literatura, pois ele percebeu que havia muitos autores saturninos (frio, controle, rigidez, morte).

Outra figura que nos lembra de Júpiter é o Papai Noel! Lewis recebeu algumas críticas pela presença do bom velhinho, porque eles acreditavam que saía muito do contexto de Nárnia. Mas o Papai Noel ali faz todo sentido. A sua chegada marca o retorno da generosidade, da dádiva e da festividade real. Ele é bondoso, alegre e distribuidor de presentes! Tudo isso é completamente jovial.

Bom, são inúmeras referências que podemos notar o planeta Júpiter, inclusive em coisas menos óbvias, como os irmãos que atravessam o Guarda-Roupa em trajes elegantes, uma clara referência ao símbolo da realeza.

Para a resenha completa, eu falei tudo o que percebi e refleti nesse áudio. Não deixem de conferir. Vou ficando por aqui.

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O Sobrinho do Mago e o planeta Vênus

Nessa publicação falei um pouquinho sobre o motivo de desejar regressar a Nárnia. Então estou aqui para compartilhar o que consegui perceber sobre o simbolismo dos planetas que o Lewis adicionou, intencionalmente, em cada história de Nárnia. Para esse esforço eu obtive ajuda de dois livros: The Medieval Mind of C. S. Lewis (Jason M. Baxter) e Planet Narnia (Michael Ward). O primeiro é sobre as influências medievais do Lewis, enquanto o segundo é focado no simbolismo dos planetas que estão contidos em As Crônicas de Nárnia.

No livro “The Medieval Mind of C. S. Lewis (Jason M. Baxter)”, o autor  faz um panaroma percorrendo por intelectuais que influenciaram a Idade Média e que Lewis conhecia profundamente. Um deles é Macrobius, um filósofo platônico que escrevia em latim, cujo trabalho descreveu a ideia da criação do mundo ser uma sinfonia. Por sua vez, essa ideia tem como base o livro “Sonho de Cipião”, do político Marco Túlio Cicero.

Neste sonho há um momento em que Cipião olha para baixo e vê o cosmos se movendo sob seus pés (isso se repete em A Divina Comédia), e então, ele começa a ouvir uma música magnífica, e questiona: “O que é esse som, tão alto e ainda assim tão doce, que enche meus ouvidos?” Seu guia responde: Esse é o som produzido pelo ímpeto e momento das próprias esferas. É composto de intervalos que, embora desiguais, são determinados sistematicamente por proporções fixas. A mistura de notas altas e baixas produz um fluxo uniforme de várias harmonias…”

“Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cânticos.” Salmo 125, 2.

Dei uma pequena pincelada nesse contexto da música porque um dos signos que Vênus rege é o signo de Touro, este por sua vez tem esse símbolo de estar associado a região do pescoço, garganta, laringe, tireoide, língua, cordas vocais. Acho que consigo imaginar o porquê a criação de Nárnia seja tão musical! Pois cantar e, o som ainda ser tão belo, tem tudo a ver com o planeta Vênus. Vejamos alguns trechos do capítulo que antecede a Criação de Nárnia:

No escuro, finalmente, alguma coisa começava a acontecer. Uma voz cantava. Muito longe. Nem mesmo era possível precisar a direção de onde vinha. Parecia vir de todas as direções, e Digory chegou a pensar que vinha do fundo da terra. Certas notas pareciam a voz da própria terra. O canto não tinha palavras. Nem chegava a ser um canto. De qualquer forma, era o mais belo som que ele já ouvira. Tão bonito que chegava a ser quase insuportável. O cavalo também parecia estar gostando muito, pois relinchou como faria um cavalo de carga se, depois de anos e anos de duro trabalho, se encontrasse livre na mesma campina onde correra quando jovem e, de repente, visse um velho amigo cruzando a relva trazendo-lhe um torrão de açúcar”

É interessante que o canto é o primeiro sinal de algo no escuro, assim como Vênus que se mostra tão brilhante quando a noite começa a cair. Toda a melodia é descrita como bela, uma beleza tão avassaladora que causava uma certa insuportabilidade. Tal descrição lembra-me dos anjos ao aparecerem para as pessoas e sempre diziam: “Não temas”. Às vezes a beleza pode nos causar esse tipo de espanto ou temor, não necessariamente algo admirável como estamos acostumados a pensar. O cavalo, o cocheiro e as crianças são os únicos maravilhados pelo canto. Enquanto Jadis e Tio André a consideram insuportável.

“– Louvado seja! – disse o cocheiro. – Se eu soubesse que existiam coisas assim, teria sido um homem muito melhor.”

“O céu do oriente passou de branco para rosa, e de rosa para dourado. A Voz subiu, subiu, até que todo o ar vibrou com ela. E quando atingiu o mais potente e glorioso som que já havia produzido, o sol nasceu.”

“A terra tinha muitas cores – cores novas, quentes e brilhantes, que faziam a gente exaltar… Até que se visse o próprio Cantor. Então, todo o resto seria esquecido.”

O canto foi o que mais me marcou, mas há outros trechos da Crônica que podemos perceber algo venusiano. Por exemplo, quando Polly e Digory decidem explorar um túnel que dava entrada para as casas da vizinhança, mas eles estavam mais curiosos a respeito de uma casa abandonada. Eles conseguem acessar a casa abandonada e se surpreendem por encontrarem um sótão bem arrumado e mobiliado como uma sala de estar, até que Poly se dá conta de uma bandeja de madeira contendo um determinado número de anéis.

“Os anéis estavam colocados em pares – um amarelo e um verde juntos, um pequeno espaço, depois outro anel amarelo com um anel verde. Não eram maiores do que os anéis comuns, e era impossível deixar de olhar para eles, pois eram muito brilhantes e bonitos”.

Acredito que essa descrição sobre os anéis pode ser utilizada para descrever Vênus. Não sei se você costuma contemplar o céu noturno, mas Vênus é extremamente brilhante até mesmo em um céu afligido pelas luzes artificiais do ambiente urbano. Então imagina como não deveria ser para o homem medieval, que vivia em uma época que ainda não existia a eletricidade, observar este planeta?! Com certeza ele deveria vê-lo brilhando tão intensamente! Essa experiência se tornou incomum para muitas pessoas, somente quem vive longe das luzes artificiais tem a oportunidade de contemplar um céu salpicado de estrelas.

Observei também que há um capítulo chamado de “A primeira piada”, pois Vênus também simboliza o riso porque ele é prazeroso. E o capítulo mais comovente dessa história é quando Digory dá a sua mãe o fruto que ele colheu em Nárnia e que é capaz de curá-la. Este fruto é uma maçã, e mais uma vez podemos notar algo venusiano porque a maçã é uma espécie de planta associada ao planeta Vênus, assim como as demais espécies da família botânica Rosaceae.

Gravei um áudio sobre esse livro, eu acabei falando mais sobre outros aspectos. Então tá aqui o vídeo para quem quiser ouvir.

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A leste do Sol, a oeste da Lua

Recentemente concluí a saga dos Guerreiros Deuses de Cavaleiros do Zodíaco, então inevitavelmente a curiosidade sobre os mitos e o folclore nórdico aflorou. Comecei a ler um livro sobre a mitologia e cosmologia dos nórdicos e um outro com uma seleção de contos de fadas, é este o da foto acima. Mas antes de iniciar as minhas impressões, deixo aqui o meu agradecimento ao padre islandês Semundo, o Sábio, porque foi ele um dos responsáveis pelas fontes da mitologia nórdica. Então se pude me divertir com estas histórias e meditá-las, devo ao Semundo, o Sábio. Obrigada! Amo mitologia e contos de fadas!!

Bem, um dos contos me chamou a atenção porque ele é bastante semelhante ao mito de Psique e Cupido. O que também me lembrou do romance Até Que Tenhamos Rostos, do C. S. Lewis, que é uma releitura desse mito. Estou falando do conto de título A Leste do Sol, A Oeste da Lua (East of the Sun and West of the Moon). Nesse conto, acompanhamos a história de uma mocinha que se casa com um urso branco e acaba descobrindo que ele é um príncipe que está amaldiçoado!

Essa história se assemelha ao mito mencionado anteriormente porque quando a mocinha da história vai dormir, ela percebe que não é o urso que se deita na cama, mas um homem. Então ela acaba sendo persuadida por sua mãe a acender uma vela quando ele esteve dormindo para poder vê-lo. Embora o urso, prevendo que ela seria muito provavelmente aconselhada a fazer isto, lhe diz para não contar nada sobre eles a sua mãe. Mas ela não resiste a tentação da curiosidade e acaba olhando para o príncipe sob a luz da vela.

A esperança de ter a maldição quebrada se esvai e o príncipe lhe diz que agora ele terá que se casar com uma princesa que vive em um castelo a leste do sol e a oeste da lua. A mocinha decide percorrer uma jornada em busca desse lugar desconhecido e misterioso, conhece vários personagens que lhe ajudarão nessa viagem. Mas diferente da história dos mitos, esse conto de fada tem um final feliz!

Para título de curiosidade, recomendo ouvir a música East of the Sun da banda a-ha, pois ela é inspirada neste conto.

Para mim, é sempre interessante observar as semelhanças nas histórias… E o que mais me fascina nos contos de fadas são os finais felizes, o que nem sempre ocorre com os mitos.

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A Princesa Flutuante, George McDonald

20 de janeiro de 2025: A noite demorou a cair, e no momento tudo é escuro… O curioso é que são nestes momentos que acontecem relâmpagos de pensamentos luminosos após um tempo de ter concluído uma leitura.

Bem, ontem eu terminei de ler A Princesa Flutuante e eu me surpreendi com o desenrolar da história! No começo da história a princesa é amaldiçoada pela sua tia bruxa e vingativa. A maldição consiste em perder a sua gravidade, então ela flutua como uma cípsela de dente-de-leão, ou como as nuvens… O curioso é que essa leveza abarca todos os âmbitos de sua vida.

“A menininha tinha sobre si apenas o manto etéreo do próprio sono.”

Essa leveza da Princesa, além de flutuar, consistia em nunca sentir tristeza, tampouco mágoa. Dar risadas de tudo e de todos. O mundo lhe parece uma brincadeira, ou melhor, o mundo lhe é, autenticamente, uma brincadeira. Seu jeito de ser é irritante em alguns momentos para os seus pais, mas no fim, ela é amada e querida por todos justamente por esse espírito tão pueril e encantador.

A princípio, eu estava considerando essa caracterísitca maravilhosa, imagina só nunca chorar?! Mas após um tempo pensando, creio que um dos temas que se pode observar na Princesa Flutuante é o quanto as lágrimas, principalmente as de arrependimento, são uma bênção. Há um momento da história que é muito comovente, é quando ela se dá conta de que toda essa alegria acabava a tornando entorpecida com a única pessoa que teve coragem de se sacrificar por ela, a Princesa se desata a chorar e a maldição quebra!

“Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado; um coração quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezarás.”

– Salmo 51.

O George McDonald conseguiu, através de um conto de fadas, falar sobre o coração contrito! Para mim, esse é o grande tema e o que mais despertou o meu interesse.

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Anseio por tornar a visitar Nárnia

“Presentes para vocês. São ferramentas, e não brinquedos. Talvez não esteja longe o dia em que precisará usá-las. Com honra!”  – O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.

Olá! Um Feliz Natal a todos! Bem, aconteceram tantas coisas nos últimos meses de 2024! Muitas delas foram apenas vivenciadas dentro da minha cabeça e apesar de soar um tanto abstrato, eu ficaria feliz em poder compartilhar um pouco do que vivi em meu mundo interior nestas palavras:

É que sinto uma verdadeira alegria quando descubro algo que consegue saciar a minha curiosidade. E a partir disso, muita magia surge na minha vida interior, onde as chuvas são como palavras que extraio dos livros e saciam a sede da minha mente fértil, imaginativa. Então durante essa jornada, mergulhei nos assuntos do meu interesse, vulgo, tudo o que diz respeito a Idade Média, e acabei descobrindo que o C. S. Lewis dava aulas sobre esse assunto!

Como eu nunca pude imaginar tal fato? É tão óbvio haha. Neste ano eu li A Divina Comédia e a Trilogia Cósmica e percebi que ambos poderiam ser literaturas irmãs em alguns aspectos, e o aspecto essencial é a visão cosmológica do medievo. Além disso, foi uma feliz descoberta saber que o Lewis se inspirou bastante em Dante Alighieri, entre outros escritores medievais tanto quanto professor, como escritor de um mundo mágico e também de incorporar essa visão de mundo em si mesmo, não apenas levando para o lado profissional, pois este era só a superfície da sua riqueza interior.

Digo com toda a sinceridade de uma criança: essa exploração me levou até o céu! Pois encontrei uma chuva dourada tão encantadora quanto um céu salpicado de estrelas, um livro chamado “The Medieval Mind of C. S. Lewis”, por Jason M. Baxter. Nele, o autor conta detalhadamente sobre um Lewis que não é muito conhecido entre seu público, o Lewis medievalista! E digo que tudo isso me levou até o céu porque eu acabei descobrindo que cada livro de As Crônicas de Nárnia é uma espécie de tradução do simbolismo astrológico para leitores modernos. Só para dar uma pincelada nos simbolismos dos planetas e o livro correspondente: Júpiter: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa; Marte: Príncipe Caspian; Sol: A Viagem do Peregrino da Alvorada; Lua: A Cadeira de Prata; Mercúrio: O Cavalo e seu Menino; Vênus: O Sobrinho do Mago; Saturno: A Última Batalha.

Creio que cheguei no topo da montanha e agora é só erguer os olhos para o alto e contemplar! Esta contemplação significa que dentro de mim foi plantada a semente do desejo de voltar para Nárnia, ah, como faz tempo a última vez que li essa história tão deliciosa! Estou com tantas expectativas para a releitura porque agora eu tenho uma bagagem literarária bem maior, estou ansiando pelas novas impressões que irão surgir na minha mente. Isso não é fascinante?! Nada melhor do que começar o ano com a presença de Aslam! Bom, pretendo iniciar Janeiro com O Sobrinho do Mago e prometo ficar bem atenta para notar o que existe de venusiano nesta história.

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A minha primeira leitura de A Divina Comédia

Concluí a minha primeira leitura de A Divina Comédia e ela se deu no início da primavera (aqui no hemisfério sul foi o outono), tal como o Dante que iniciou a sua jornada em busca pela Verdade na primavera também! Se eu tivesse combinado, não teria dado tão certo essa coincidência. Esse detalhe sobre a primavera me chamou a atenção porque segundo alguns cálculos medievais, 18 de março foi a data do primeiro dia da Criação! Isso é só um grão de areia diante da praia da cosmovisão de outrora, mas que infelizmente não é tão falada porque atualmente tudo isso é visto como superstição e coisas do tipo. Bem, eu devo o interesse por essa leitura ao físico Wolfgang Smith porque foi por eu ter lido o seu livro, A Sabedoria da Antiga Cosmologia, que decedi ler imediatamente A Divina Comédia. Que Deus o tenha!

No Inferno nem preciso dizer que foi um inferno ter lido (desculpa o trocadilho kkk). Mas é que nessa parte só tem desgraça, castigo, murmúrio etc. Por falar em murmúrio, no Canto III, há versos sobre almas que blasfemavam a si mesmas murmurando sobre o dia e/ou lugar que nasceu, isso me chamou muito a atenção! Um dos Cantos que mais me deixaram em choque foi o XXXIII que narra a história do conde Ugolino que foi traído pelo arcebispo Ruggieri, foi por ele detido, junto com seus filhos e dois netos, trancado em uma cela até morrerem de fome. Ler sobre um pai que vê sua família morrer lentamente e sem poder fazer nada me doeu muito.

No Purgatório as coisas começam a melhorar porque as almas, apesar de sofrerem, elas ao mesmo tempo, sentem a esperança do dia que sairão dali para adentrarem no Paraíso. Elas também acham justo a sua purificação e sempre pedem ao Dante, que ao regressar, falem com seus parentes para que rezem por eles. No final do Purgatório, chorei muito porque é quando o Virgílio se despede do Dante e não vai mais guiá-lo, também fiquei rindo ao mesmo tempo que chorava porque eu não estava acreditando que um livro estava fazendo isso comigo. O meu marido olhava para mim e não entendia nada kkkk.

Por fim, o Paraíso!! Essa foi a parte que eu mais estava ansiosa para ler porque sabia de antemão que ela é a que mais têm referências ao simbolismo astrológico. Simplesmente fiquei feliz ao ler cada verso e também por ter conseguido compreender o porquê de cada alma beata estar em determinado planeta. Acredito que isso aconteceu porque já tem algum tempo que tento aprender sobre o simbolismo da astrologia tradicional, e mesmo eu não sendo nenhuma especialista, deu para ter uma boa compreensão do texto. Com a graça de Deus, pretendo me aprofundar cada vez mais nesse assunto.

Preciso comentar um outro ponto que me chamou a atenção. No final do Paraíso (Canto XXIX) nos é apresentado a respeito do céu material, e este é animado pelas Inteligências Angélicas, os anjos fiéis a Deus. Quando Beatriz discursa sobre quais são as faculdades destas criaturas, ela diz que São Jerônimo escreveu sobre os anjos terem sido criados séculos antes de o mundo ter sido feito, e incentiva o Dante a procurar isso nas Sagradas Escrituras. Ah, esse assunto coincidiu com uma outra leitura que fiz nesse ano, a Trilogia Cósmica do C. S. Lewis!

Algumas coisas que me fizeram rir [uma nota para quem diz que A Divina Comédia não é uma comédia (outro trocadilho absurdo, desculpa, eu não me contenho kkkk)]: O Dante se colocando no clube dos maiores poetas do mundo; O modo como o Virgílio dava bronca ou conselhos para o Dante; o Dante fazendo um elogio para o signo de Gêmeos porque foi sob este signo que ele nasceu; o Dante parecendo a personificação daquela música do Cazuza (Exagerado) quando se tratava da Beatriz; a Beatriz ensinando sobre cosmologia ao Dante; e o fato de que o Dante fez um “exposed” de várias pessoas, inclusive de Papas.

Enfim, eu gostei muito de ter lido A Divina Comédia, apesar de ter me arrastado por tanto tempo nesse livro, ele se tornou um dos meus livros favoritos e se Deus quiser, pretendo sempre relê-lo! Acredito que com o tempo, terei mais bagagem para compreender a obra profundamente. Ficou muito nítido o quanto Dante Alighieri é um escritor genial, portanto, ele merece estar no clube dos grandes poetas.

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Céu da Lua – A Divina Comédia

Olá! Estou sentindo vontade de compartilhar o que observei durante a leitura do Paraíso na Divina Comédia. Estas observações são singelas e baseadas no pouco de conhecimento que aprendi, até o momento, sobre o simbolismo astrológico. Tentarei fazer uma publicação para cada planeta e espero que isso ajude de algum modo aos leitores deste clássico. Segue o meu texto:

Chegamos ao Canto do Paraíso da concha concêntrica da Lua! Mas antes de tecer qualquer comentário sobre o Canto III, gostaria de falar um pouco sobre o simbolismo da Lua na astrologia e em seguida sobre o que é narrado.

Bem, a Lua é um planeta de fases, portanto ela nos fala sobre a mutabilidade ou inconstância. Ela também nos fala sobre os nossos sentimentos mais íntimos, o que nos faz feliz profundamente, sobre o que precisamos para nos sentirmos seguros.

Neste canto conhecemos a alma de Piccarda, então o Dante lhe questiona se ela não se sente infeliz por estar no lugar mais distante de Deus e se gostaria de estar em um lugar superior. Ela responde que este sentimento é impossível no Paraíso, porque a felicidade dos beatos da Lua reside justamente em cumprir a vontade de Deus, e isso lhe dá o sentimento de paz.

Durante a sua vida na terra, Piccarda fez votos ainda adolescente, mas o seu irmão a obrigou a se casar com um nobre. Apesar desse infortúnio, Piccarda manteve em seu coração os votos que fizera.

Percebemos que o tema central neste Canto são os sentimentos e aquilo que levamos no mais âmago de nosso ser, a nossa vontade mais profunda… Como o exemplo de Piccarda que conservou em seu coração a sua promessa, a sua vontade mais profunda, aquilo que estava escondido e só ela e Deus sabiam.

Também percebemos uma alusão mitológica da deusa Diana. Dante explora a concepção tradicional da Lua como planeta de Diana, a deusa virgem e protetora das mulheres.

Interessante observar também que neste Canto são nos mostrados apenas mulheres, a Lua é um planeta feminino, de qualidade úmida e fria.

Acredito que a alma beata de Piccarda nos faz refletir sobre o quanto nosso interior é importante, apesar do que ocorre externamente. O seu coração se manteve fincado em seus votos como a Cruz fincada no Monte Gólgota, mesmo tendo sido obrigada a viver um casamento infeliz. Deus é o nosso Pai bondoso que se importa com nossos sentimentos mais profundos e as circunstâncias a qual estamos inseridos, conhece plenamente o nosso coração e não desprezou Piccarda por ela ter tido que quebrar o seus votos, pois em seu coração ela foi fiel.

A Lua nos diz sobre a inconstância dos sentimentos, mas no coração humano há uma força superior.

 

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Jornal Literário: Livro de Gênesis

Finalmente consegui fazer um resuminho para o Livro de Gênesis! Eu senti muita dificuldade pelo fato de ser um baita livro, exigi de mim mesma muita responsabilidade, não que nos outros eu não fizesse o mesmo… Enfim, acredito que deu para mencionar os principais pontos e também o que despertou mais a minha atenção.

No final do ano passado resolvi fazer jornais literários porque eles unem minhas paixões: estudo, literatura e pintura. Por aqui, já postei sobre Bambi (Felix Salten) e Memórias do Subsolo (Fiódor Dostoiévski). O objetivo é fazer para todas as minhas leituras enquanto houver papel nesse caderno. Acredito que é um boa maneira de meditar sobre minhas leituras, de amadurecer na alma tudo aquilo que ingeri ao ler. E por que não adicionar algumas ilustrações? Tenho pintado com láspis de cor, caneta preta comum e recentemente acrescentei canetinhas de pintura.

Escolhi a minha frase favorita que é sobre o céu, tudo o que há nele e o propósito desta criação em específico. Acho que dá para notar que quando Deus vai criando cada coisa, Ele dá uma vocação para ela, certo? Os luzeiros do céu tem o objetivo de separar o dia e a noite, servem de sinais e marcam o tempo. Simplesmente amo o céu!

A mão colhendo a maçã é meramente ilustrativo, pois eu não sei qual fruto era e também é pelo fato de ser algo que está muito no imaginário das pessoas.

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