Uma leitura e um pequeno desafio

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Recentemente eu li Carta aos jovens sobre a utilidade da literatura pagã (de São Basílio). Já havia um bom tempo que descobri a existência dele e desde então entrou para a lista de leituras que gostaria de fazer. Lê-lo foi uma alegre surpresa porque apesar de ser tratar sobre a vida intelectual, há conselhos que posso levar para os mais variados aspectos da vida. Na verdade, tudo que se trata sobre a vida intelectual é sobre uma imensidão de virtudes para serem almejadas!

O desafio se tratou de gravar um vídeo resenhando a leitura. Eu gravei alguns vídeos, apaguei, e sobrou só um que eu achei um pouco razoável (esse daqui se quiser ver/ouvir). Esse trabalho simples deixou ainda mais claro coisas pelas quais devo combater: o perfeccionismo, de que quando algo não sai como imaginei perco a paciência comigo mesma, começo a me sentir ridícula e o medo de me criticarem. Mas a razão sempre me diz: não sou perfeita, não sou passível de críticas, não nasci para agradar o mundo, eu nasci para agradar somente a Deus e é isso que eu devo almejar a cada batida do meu coração. Não é algo fácil de se cumprir, tenho noção de que somente a graça do Nosso Senhor pode prevalecer sobre minha fraqueza, como escreveu São Paulo.

Geralmente não gosto muito das coisas que faço, principalmente se for algo que eu não levo o menor jeito. Não tenho talento para lecionar, por mais que o assunto faça o meu coração arder de alegria. Ler sobre qualquer coisa que impulsiona a alma a bondade deixa-me completamente feliz e entusiasmada. Falo de um modo pausado, meio robótico, enquanto por dentro eu pareço aqueles insetos que voam freneticamente em torno da luz. Deixei de mencionar várias coisas no vídeo porque eu esqueci, então eu vou deixar aqui o que eu escrevi no caderno.

“Examinai tudo: abraçai o que é bom.” – São Paulo

O mundo literário é abundante de tudo o que é humano, e como tal, há a erva daninha da concupiscência que devemos podar com as virtudes.

São Basílio pensando em tais fatos e na miséria humana, sente-se motivado a aconselhar os jovens de como tirar proveito da literatura, ainda que esta não seja propriamente católica.

O primeiro conselho é de não aceitarmos tudo de forma cega, de não nos entregarmos sem reservas em “um mar cheio de armadilhas”. Devemos abraçar somente o que é bom e útil, e para tal, devemos antes de tudo conhecer a verdade sem temer descartar tudo aquilo que pode nos afastar do nosso objetivo último: a nossa salvação.

Este Bispo do século IV possuía uma perspicácia em relação aos jovens, pois sabia que às vezes um coração juvenil não conseguia se aprofundar nas verdades do Santo Mistério, em razão disso, nos aconselha a passar os olhos sobre os livros que não são completamente contrários a santa doutrina, pois através destes podemos olhar para nossas próprias almas, um exercício que parece divertimento, mas acaba nos tornando mais aptos para o combate.

São Basílio também argumenta que, antes de nos empenharmos no estudo das coisas sagradas, devemos iniciar pelas letras profanas, devemos primeiro aprender a ver o reflexo do sol nas águas cristalinas e, depois, com a visão fortalecida, olhar diretamente para a luz pura.

Quando estivermos debruçados nestas leituras, devemos tapar os ouvidos para aqueles personagens infames. Como fez Ulisses para evitar o canto das sereias. Devemos dar nossa atenção para aqueles autores que louvam a virtude e condenam os vícios. Estas leituras nos enriquecem de tal modo que deixam de ser uma mera recreação.

Neste livro contém duas homilias do santo, uma sobre o desapego das coisas mundanas, e a outra sobre a humildade. Bastante pertinente estes temas acompanhando a carta, pois só existe uma verdadeira vida intelectual com humildade e desapego de si mesmo e das idéias de estimação quando se está diante do Bom, Belo e Verdadeiro.

Até breve. ♡

Reencontrei palavras


Olá.

Eu não gostaria de ter ficado tão longe do meu pequeno bosque durante esse mês que passou, mas ultimamente estou tentando não me sentir perturbada com determinados assuntos, há certas coisas para as quais sou muito pequena, e tudo bem para mim estar nesta condição. Acredito que é preciso aceitar onde a sua semente foi plantada, pois o jardineiro sabe qual o tipo de solo ideal para ela germinar. Parece que as sementes ficam atordoadas, acho que deveriam confiar mais nas mãos do jardineiro.

Ao longo dos meus dias tenho lido um pouco sobre educação e a História da Igreja (aqueles vários volumes do Daniel-Rops) e tenho sentindo-me tão inspirada e feliz! O conhecimento realmente eleva o espírito humano, mas não é qualquer conhecimento: é o conhecimento que exala o perfume da beleza, bondade e verdade. Tais virtudes só encontramos plenamente em Deus. Qualquer coisa fora disso é pura aflição de espírito.

A delicadeza é necessária ao ensino, a evangelização. Esta delicadeza de se fazer pequeno entre os pequenos, assim como fez São Paulo, assim como os santos ao anunciar a Boa Nova aos povos bárbaros e os jesuítas aos nativos da América. “Toda a sua arte consiste em tocar os corações.” A propósito, eu encontrei uma fotografia de um trecho de Poliana Menina que me remeteu a este tema que anda perambulando em minha mente. Irei transcrever aqui:

“O que as criaturas desejam é encorajamento. Não se deve censurar sistematicamente os defeitos de alguém, mas apelar para as virtudes. Ao tentar afastar uma alma do mau caminho, deve-se descobrir e fortalecer o melhor da sua índole, o lado bom que ainda não aflorou. A influência que o bom caráter exerce é contagiosa e pode revolucionar uma vida inteira… Todas as criaturas irradiam o que pensam e o que trazem no coração. Se alguém se mostra submisso e serviçal… Quem procura o mal, certamente o encontrará. Mas quando se procura o bem na esperança de encontrá-lo, logo o bem aparecerá.”

Após ter reencontrado estas palavras, fui imediatamente transportada para outras belezas que li em outros livros, como a Imitação de Cristo, quando fala que toda criatura nos transmite a bondade de Deus. Trazer alguém para as verdades eternas é um serviço que enche o coração do mais puro amor. Espero poder levar isso a qualquer pessoa que se aproximar de mim, e especialmente a minha família, que são os que me são tão caros!

Flores azuis e passeios

“As palavras da Bíblia parecem ligar uma importância especial à vida dos campos e aos trabalhos agrícolas.

Também vos recomendei como exercício de saúde e de sabedoria prática, os passeios no campo, a contemplação das cenas tão variadas e tão admiráveis da natureza, aonde se encontra tudo, a paz, a ordem, e a ventura tranqüila;

e nessa ocasião não podia passar em silêncio a cultura das flores, desses deliciosos esboços dos pensamentos divinos, desses hóspedes perfumados que nos falam, com tanta graça, da virtude e dos nossos deveres, e que, mesmo no momento em que caem murchas, nos deixam uma doce e melancólica lição sobre a fragilidade da vida humana”.

A Mulher Forte, Mons. Landriot.

Bumblebee e Flores de Amora

Eu nunca vi uma abelha do gênero Bombus pessoalmente, a espécie que mais gosto só ocorre em lugares longíquos de onde moro. Gostaria muito de viajar e ter a chance de vê-las pessoalmente! Acho as abelhas uma das criaturas de Deus mais fofas. Elas:

– fabricam mel
– polinizam
– suas cores possuem contraste
– por vezes são metálicas
– trabalhadoras
– vivem em sociedade
– também vivem solitárias

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Aquarela de flores silvestres

Como os olhos se enchem de ternura ao observar um campo florido, plantas crescendo livremente na beira da estrada, em lugares esquecidos… Gosto muito de collhê-las e admirá-las. Elas me inspiram de certa maneira. Tudo que acho belo sinto vontade de colocar em um papel com lindas cores.

A chuva estava bastante forte, os pingos caiam nas poças, o verde ficou todo ovarlhado. Às vezes aparecia aqui e acolá um raio de sol e dava-me uma sensação de frescor e aquecido ao mesmo tempo, uma luz bem suave. Pus-me a procurar minhas cores, ferramentas e a pesquisar imagens de flores silvestres para representá-las.

Escolhi três muito fofas: forget-me-not, lilly-of-the-valley e uma cowslip amarelinha.

Quem sabe algum dia eu as admire pessoalmente?

Não é um bem-te-vi, mas eu bem te vi, Cambacica

Depois que eu coloquei néctar no bebedouro para os beija-flores, acabou que atraiu outra ave: um cambacica (Coereba flaveola). Eu não sabia que esta espécie também se alimentava de néctar, fiz uma pesquisa rápida pela internet e diz o seguinte sobre este hábito alimentar dele: “para coletar alimento, em qualquer altura, agarra-se firmemente à coroa das flores e com o bico curvo e pontiagudo perfura o cálice, atingindo assim os nectários. Visita também as garrafas de água açucarada, destinadas a atrair beija-flores e comedouros de frutas para pássaros. Aprecia muito banana, mamão, jabuticaba, laranja e melancia.”

Agora eu sei porquê a estrutura do bico dele é curvada, é justamente porque ele se alimenta de coisas mais líquidas. Enquanto outros pássaros dão umas caçadas pelo chão a procura de artropodes. O cambacica também se alimenta de pequenos insetos que encontro por perto das flores. Uma as flores que ele gosta é o hibisco/papoula (Hibiscus rosasinensis), ele faz uma perfuração na base da flor e então consegue coletar o néctar. Alguns outros pássaros aproveitam o furo para coletar também.

Não consegui registrar o bonito no bebedouro. Achei melhor ficar quietinha e deixá-lo pensar que não estava sendo observado por grandes olhos! Entretanto, já tive a oportunidade de resgistrar um representante deste pássaro em uma exploração do passado.

 

Até breve (e quem sabe com um registro do cambacica no quintal).

Uma borboleta

Já faz um tempo que o quintal começou a ser visitado por duas borboletas da espécie Euptoieta hegesia. Descobri que elas adoram comer plantas do gênero Passiflora, e aqui havia (porque elas comeram tudo) um lindo pé de maracujá que crescia abundantemente.

Resolvi fazer algumas filmagens com uma câmera emprestada, pois a minha está quebrada no momento. Senti muita falta de editar vídeos, era algo que eu fazia com frequência no primeiro computador que tive. Agradeço ao marido por ter me emprestado sua ferramenta de trabalho para eu voltar a editar vídeos.

Estou com vontade de fazer filmagens da natureza e coisas que gosto de praticar (pintura e bordado, por exemplo) e – talvez – publicar aqui. Não tenho coragem de publicar minhas coisas no Youtube, pois eu fico com receio de perder meu anônimato, apesar de algumas pessoas saberem quem escreve no Bosque (risos).

Ah! E um dia desses pude presenciar uma cena bastante selvagem: uma aranha caçando uma borboleta da espécie Ascia monuste (uma das minhas espécies prediletas!). Ela caiu na teia e depois a dona aranha a embalou e guardou para o jantar.

Muito obrigada por ter assistido o meu singelo vídeo. ♡

Até breve.

Torta de maçã

Acho que vou inaugurar uma nova categoria no Bosque: receitas. Eu gosto muito de cozinhar e tem algum tempo que venho tentando fazer uma receita de torta. A primeira vez que fiz não ficou tão boa a estrutura da massa. Mas após algumas tentativas, acredito que dessa vez eu consegui fazer algo bem fofo.

Cozinhar é um trabalho que me alegra porque eu gosto de manter a minha mente ocupada com algo útil. Gosto de me aventurar para fazer coisas diferentes do cotidiano e quando são coisinhas feitas com farinha de trigo e no forno eu me sinto empolgada. Sempre sinto uma ansiedade ao abrir o forno, será que ficou como na receita? Se não fica perfeita eu não me entristeço, afinal o meu intuito é de poder trabalhar.

Obrigada pela paciência por ter lido até aqui. Vou ensinar a fazer.

Para a massa você irá precisar de:

  • 2 ½ xícaras de farinha de trigo
  • 2 colheres de sopa de açúcar
  • 1 colher de chá de sal
  • 12 colheres de sopa de manteiga gelada
  • 1/4 de xícara de água gelada

Para o recheio você irá precisar de:

  • 3 maçãs
  • 1 xícara de açúcar
  • 3 colheres de sopa de amido de milho
  • 1 colher de sopa de suco de limão
  • 1/4 de colher de chá de canela em pó
  • pitada de sal

Atenção para a instrução!

Em um recipiente adicione metade da farinha (peneirada), açúcar e sal até misturar. Adicione a manteiga e misture até obter uma massa homogênea. Adicione a metade restante da farinha até que tudo esteja bem incorporado. Polvilhe com água fria até a massa ficar homogênea. Divida em duas partes iguais e leve à geladeira para que a massa fique bem gelada (se quiser colocar no congelador por uns minutos para ser mais rápido também pode ser).

Em um outro recipiente, misture as maçãs descascadas e picadas com uma xícara de açúcar. Deixe descansar enquanto você prepara o próximo passo. Misture com amido de milho, suco de limão, canela e drene todo o excesso de líquido.

Agora pegue uma das massas e abra para ser a crosta inferior em um círculo com as medidas da superfície e lateral da sua forma. Pressione a messa com toda gentileza deixando as bordas um pouco do resto para fora. Pode acrescentar o recheio (lembrando para não colocar o excesso de líquido!). Abra a segunda massa com as mesmas medidas e corte-as em tiras (o tamanho vai depender do tamanho da sua forma). Coloque as tiras por cima e faça um entrelaçado, primeiro por cima, depois por baixo e assim sucessivamente. Corte a massa que sobrar.

Finalize pincelando um pouco de gema do ovo e umas pitadas de açúcar. Leve ao forno até a crosta ficar dourada. Eu asso na temperatura de 160º/180º.

Minhas dicas:

  • você pode usar limão siciliano e noz-moscada no recheio
  • essa receita pode ser feita com outros sabores, é só trocar a fruta de sua preferência
  • quanto mais gelada estiver a massa, mais fácil será para manuseá-la sem quebrá-la
  • a massa que sobrou você pode modelar umas folhinhas ou flores e dar de presente a alguém uma torta bem bonita

Até breve.

Colorido

Amazilia fimbriata

Algo que considero incrível são as cores das aves (e de outras criaturas também). Todo esse colorido é formado por um ou dois pigmentos diferentes e a estrutura da pena também interfere em como a cor será vista por nós.

A melanina, produz a cor preta ao amarelo opaco; os carotenóides são responsáveis ​​pelas cores do amarelo ao laranja; e as porfirinas produzem cores vivas em vários tons de rosa, vermelho, amarelo e verde. Enquanto as cores estruturais são produzidas pela refração da luz através das células da pena.

As cores iridescentes de beija-flores e outras aves são produzidas de maneira semelhante e o ângulo em que os pássaros são vistos é um fator para as cores variarem.

Há muito tempo consegui registrar esse beija-flor. Ele estava pousado no galho de uma aroeira que existia em frente a minha janela. Infelizmente a cortaram e, desde então, não pude mais apreciar de pertinho a beleza dessas cores.

Observar beija-flores quando eles estão sob a luz do sol é algo que gosto muito de fazer porque o brilho e o colorido são tão encantadores. É impossível para mim não parar por um instante e suspirar diante de tanta beleza, gosto de ficar parada e admirando.

Até breve.

Se você olhar bem…

Verá que o mundo todo é um jardim. (Frances Hodgson Burnett).

O mundo, seja na terra ou nos céus, vejo como lindas cartas de Deus para a humanidade (e por que não para mim também?). Ver uma flor, as nuvens, as águas, os animais, sempre causa em mim algum pensamento: o que o meu Criador quer me dizer com isto? Há coisas tão imensas e belas que só posso imaginar que o Céu é muito mais sublime! Porém a minha pequenez não consegue pensar muito além, o que não impede o meu coração desejar ardentemente fazer parte dessa beleza (o Reino dos Céus) quando eu partir deste mundo.

Borboleta Anartia jatrophae

Enquanto isso, gosto de usar o tempo que me sobra para dominar a criação, como diz o livro Gênesis. Essa dominação, acredito eu, é o conhecimento sobre estas criaturas. Eu gosto de pesquisar os nomes científicos dos seres que encontro por aí. A internet ajuda muito nisto! Há alguns livrinhos de identificação botânica, ornitológica, entomológica etc. Observar os detalhes de uma planta até ter o conhecimento do seu nome é algo muito divirtido de se fazer. Já tentou colher qualquer plantinha e observar suas características? Acho fascinante essa atenção aos detalhes até alcançar algo maior.

Eu escolhi minha flor silvestre favorita. Recentemente aprendi que o seu nome científico é Bidens alba e há vários nomes populares para ela. O que eu mais gostei foi “agulhas-de-borboleta”.

Para começar a identificar plantas é preciso ter um conhecimento introdutório da botânica porque isso irá facilitar muito o trabalho! As chaves de identificação começam perguntando se a taxonomia da planta é monocotiledônea ou outra. Esta florzinha é uma monocotiledônea, então vamos para a próxima característica… É assim que funciona.

É um pouco difícil chegar até a espécie, mas se conseguir ir até a família da planta já é algo incrível porque com este conhecimento fica um pouco mais simples de aprender a espécie ou o gênero.

Fofíssima, não é?